Após ameaças a equipes de imprensa, PM mata suspeito em Águas Claras

Fonte: Correio24horas

O baleado foi socorrido para o Hospital Eládio Lasserre, onde foi constatado o óbito

Um homem foi morto pela Polícia Militar na manhã desta terça-feira (1º), durante rondas após um episódio de violência e ameaça à imprensa em Águas Claras. Segundo a PM, equipes da Rondesp Central foram recebidas a tiro por um grupo armado na Rua Santa Tereza. A polícia foi até o local depois que um bando armado atirou para cima para expulsar jornalistas que cobriam um crime no local. Um cinegrafista da Band foi agredido a coronhadas e teve equipamento danificado.

No local, a PM apreendeu uma pistola com cinco munições e um carregador, além de 180 porções de crack e cocaína. Os PMs foram acionados por conta de relatos de disparo de arma de fogo – só depois souberam que se tratava de um caso envolvendo a imprensa. Ao chegar lá, encontraram o grupo armado traficando drogas, segundo a corporação. Os criminosos atiraram ao notar a aproximação dos policiais, que reagiram. Um dos suspeitos foi baleado e o restante conseguiu fugir.

O baleado foi socorrido para o Hospital Eládio Lasserre, onde foi constatado o óbito. Não há confirmação sobre se o suspeito de tráfico estava envolvido no episódio de ameaça aos jornalistas. A ocorrência foi registrada na Corregedoria da Polícia Militar.

“Posteriormente fomos informados que duas equipes de jornalistas de diferentes emissoras foram agredidas. Continuamos no local para achar os criminosos, junto com as guarnições da 3ªCIPM/Águas Claras e da Patamo (Batalhão de Choque)”, afirma o subcomandante do Comando do Policiamento Regional da Capital (CPRC/Central), tenente-coronel Wellington Morais dos Santos.

Ameaça a jornalistas
Criminosos armados ameaçaram equipes de reportagem das TVs Aratu e Band em Águas Claras, Salvador, na manhã desta terça-feira (1º). Os jornalistas estavam no local para reportar sobre um homicídio que aconteceu na Rua Santa Tereza.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os homens armados atiraram para cima ao lado das equipes para intimidar os jornalistas. O cinegrafista da Band levou coronhadas e teve a câmera danificada. Um dos moradores chegou a pedir que um bandido, identificado como Jhon, não atirasse nas equipes.

O jornalista Fábio Gomes, da Aratu, reportou ao vivo o que aconteceu. “Ainda nervoso. A gente estava fazendo a matéria e de repente vieram disparos de arma de fogo em nossa direção, corremos e acabamos deixando nosso equipamento, que ficou dentro da casa”, contou a ele o colega Toni Junior, da Band. “A gente tá literalmente cercado aqui por eles, achamos melhor manter ao vivo”, acrescentou Fábio. “A gente não sabe, a qualquer momento podem sair ainda armados e vir na nossa direção”.

O repórter ainda disse que as pistolas dos bandidos chegaram a falhar na hora dos disparos. “Poderia ter acontecido coisa pior”. No momento do fato, a equipe da Band estava dentro da casa onde ocorreu o crime e a da Aratu estava na rua. “Xingaram muito, ‘não quero vocês aqui’. Pelo menos cada um disparou cinco tiros para cima, obviamente no intuito de tirar a gente da rua. A intenção não era matar, porque se tivesse essa intenção tinham feito com muita facilidade”, explicou Fábio.

Em nota, a Associação Bahia de Imprensa (ABI) prestou solidariedade aos colegas e emissoras ameaçados. “Somente quem não aceita as leis e regras de convivência numa sociedade civilizada e democrática, recusa e agride o jornalismo. A resposta a qualquer agressão ao livre exercício da nossa atividade profissional não pode ser outra, senão, mais jornalismo”, diz o texto, que afirma que a melhor resposta é a “ampla e qualificada cobertura dos fatos”. E finaliza: “A ABI estará sempre ao lado de quem defende a vida”.