Preço da gasolina na Bahia dispara após primeiro aumento depois da privatização de Refinaria de Mataripe

Fonte: Agência SertãoCompartilhe

A alta é reflexo do primeiro reajuste praticado pela Acelen, nova administradora da Refinaria Mataripe

O consumidor já está sentindo o aumento do preço gasolina na Bahia na maioria dos postos de combustíveis, tanto da capital, quanto do interior do Estado. Desde segunda-feira (3), os estabelecimentos começaram a reajustar os preços para repassar o aumento de R$ 0,21 no litro da gasolina A e de R$ 0,13 para o diesel S10 e R$ 0,14 para o diesel S500.

A alta é reflexo do primeiro reajuste praticado pela Acelen, nova administradora da Refinaria Mataripe (antiga RLAM). A primeira refinaria nacional também foi o primeiro equipamento do tipo a ser privatizado pela Petrobras. Desde o final de novembro, o controle é da empresa pertencente ao fundo árabe Mubadala, que investiu US$ 1,65 bilhão na compra dos ativos.

A Acelen chegou a acompanhar a Petrobras na redução de preços em 3% ocorrida em dezembro, no entanto, desta vez, anunciou o reajuste antes da estatal modificar a tabela praticada desde 14 de dezembro. O preço da gasolina na Bahia agora passa a ser regulado pelos novos donos da refinaria, já que ainda não há logística satisfatória para abrir o mercado para concorrentes.

Em Vitória da Conquista tem posto vendendo gasolina por até R$ 7.491, o registro foi feito em na Avenida Juracy Magalhaes, no bairro Jardim Magalhães. Em outros postos, o produto pode ser encontrado na faixa de R$ 7,10 a R$ 7,20. Também há alguns estabelecimentos que ainda não receberam novas cargas com valor mais alto e mantiveram os preços na faixa de R$ 6,89 enquanto durarem os estoques, mesma faixa de preço de antes do reajuste.

Também já está mais caro abastecer em Guanambi. A gasolina custa entre R$ 6,89 e R$ 7,19, pois nem todos os postos repassaram o reajuste. O preço médio era de R$ 6,836 no fim de dezembro.

Já uma foto enviada por um leitor da Agência Sertão mostra o preço da gasolina na cidade de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, R$ 7,76. De acordo com o aplicativo Preço dos Combustíveis, em Salvador o menor preço é R$ 6,510 e o maior de R$ 7,478. O preço médio é de quase R$7.

Placa de posto em Rio de Contas com gasolina a R$ 7,76 – Leitor Agência Sertão

A última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelou que o preço médio da gasolina praticado na bombas durante a última semana de 2021 foi de R$ 6,685 na Bahia. Esta média deve se aproxima de R$7 pela primeira vez na próxima pesquisa, iniciada no último domingo (2), com divulgação prevista para sábado (8).

A alta só não é maior graças ao congelamento do valor de referência para cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O Confaz, conselho que reúne todos os secretários estaduais da fazenda, decidiu manter fixo o seu valor por três meses, de 1º de novembro de 2021 até 31 de janeiro de 2022. Na Bahia, o valor de referência ficou em R$6,044, o que corresponde a R$ 1,69 por litro, já que a alíquota é de 28%.

Com capacidade para processar mais de 300 mil barris de petróleo por dia, o que corresponde a 14% da capacidade total de refino do Brasil, a então Refinaria Landulpho Alves Mataripe está localizada no distrito de Mataripe, em São Francisco do Conde, e foi inaugurada em 1950, sendo a primeira refinaria nacional. Atualmente é segunda maior do Brasil, com a maior capacidade instalada para produção de gasolina, diesel e outros derivados de petróleo das regiões Norte e Nordeste.

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São 26 unidades de processamento, quatro terminais e 201 tanques de armazenamento, além de 669 quilômetros de dutos que interligam a refinaria com os terminais portuários. A unidade produz mais de 30 produtos, entre eles diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV), asfalto, nafta petroquímica, gases petroquímicos (propano, propeno e butano), parafinas, lubrificantes, GLP e óleos combustíveis (industriais, térmicas e bunker).

A refinaria possibilitou ainda o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do Brasil e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Industrial de Camaçari, formado por mais de 90 empresas.

Além da RLAM, a Petrobras prevê se desfazer de outras sete refinarias, conforme acerto com o Cade, para abrir o mercado de refino do País. São elas: Unidade de Industrialização de Xisto (SIX), no Paraná; Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais; Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco; Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul; Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará. A Reman e a SIX já tiveram contratos de venda assinados.

Revendedores surpresos

De acordo com o Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias Alternativas e Lojas de Conveniências do Estado da Bahia (Sindicombustíveis-BA), revendedores do Estado foram surpreendidos no final do ano de 2021 com o reajuste dos combustíveis, comunicado pela Refinaria.

O Sindicombustíveis-BA declarou em nota que vê com preocupação o primeiro aumento anunciado. “A política de preço adotada pela Refinaria Mataripe destoa da praticada pela Petrobras e aponta para um desequilíbrio no mercado de refino do petróleo, já que não há uma concorrência direta da Petrobras pelo mercado de abrangência do grupo árabe (Bahia e Sergipe). Além disso, a estrutura portuária da Bahia não está adequada para receber grandes navios petroleiros e isso impedirá as distribuidoras de buscarem alternativas no mercado internacional”, declara o presidente do Sindicombustíveis Bahia, Walter Tannus Freitas.

Somado ao reajuste anunciado pela Acelen, o diesel também terá impacto em seu custo de R$ 0,06 em função do biodiesel, que é misturado ao produto e que sofreu aumento em 1º de janeiro de 2022.

Além do aumento no preço da gasolina, houve também aumento do Gás Natural Veicular (GNV) pela Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). A tarifa do GNV foi reajustada em 3,88% (média de todos os segmentos), no primeiro dia do ano novo, conforme Resolução Nº 59 da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), publicada no Diário Oficial do Estado de 30 de dezembro de 2021.

Apesar de manifestar preocupação, o Sindicombustíveis Bahia reafirmou em sua nota que não interfere no mercado e respeita a livre concorrência.

Preço da gasolina na Bahia até 1º de janeiro de 2022
Juazeiro foi o município com o produto mais caro, com preço médio de R$ 7,168, seguido por Eunápolis, com R$ 7,125. Na sequência aparecem três cidades do Centro-Sul do Estado – Brumado, R$ 7,984, Vitória da Conquista, R$ 6,852, e Guanambi, R$ 6,836. Feira de Santana tinha o menor preço, R$ 6,5335 em média, seguido por Irecê, a R$ 6,564 e Lauro de Freitas, R$ 6,574.

Imagem: Reprodução