Pedreiro foi morto pelo tráfico após suspeita de estuprar criança em Barra de Pojuca

Fonte: Correio24horas

Moradores contam que ‘sentença’ veio após mãe de criança fazer denúncia

Onde a criminalidade domina, o tráfico tem a sua própria lei. Para quem vai de encontro, a depender da infração, a sentença é uma só: a morte. Foi o que aconteceu com o pedreiro José Almeida Borges, 65 anos, conhecido como Zé Prefeito, na madrugada desta terça-feira (26), em Barra de Pojuca, localidade de Camaçari. O corpo dele foi encontrado com sinais de espancamento e vários tiros, após ter sido julgado no tribunal do crime por suspeita de estuprar uma criança na comunidade das Malvinas.

Quem é a acusado de violência sexual tem o mesmo tratamento de um rival, penalizado com requintes de crueldade. Segundo os moradores da comunidade, ele foi assassinado por integrantes da facção Bonde do Maluco (BDM) , depois de ter sido flagrado com as mãos sobre o órgão genital e uma menina de sete anos. Depois de executado, o corpo foi deixado próximo a uma área de entulhos. Informações não confirmadas dão conta de que três envolvidos na morte do pedreiro já estão presos e outros ainda são caçados pela polícia.

De acordo com a Polícia Civil, o crime é investigado pela 33ª Delegacia Territorial de Monte Gordo. “Conforme informações iniciais, o idoso foi encontrado com marcas de disparos de arma de fogo e com marcas de agressões. Ainda não se sabe a autoria e motivação do crime. Familiares e vizinhos serão ouvidos para tentar esclarecer os fatos e ajudar a policía chegar na autoria”, diz nota da polícia.

Tribunal
Moradores contaram que Zé Prefeito foi flagrado molestando a criança deixada com ele pela mãe na tarde da segunda Tomada pela raiva, a mãe tornou a situação pública, comentando com as pessoas o que teria havido na casa de Zé Prefeito, uma figura popular na comunidade das Malvinas. O fato não demorou de chegar ao conhecimento dos traficantes, que foram atrás do pedreiro.

Era por volta das 20h quando os traficantes chegaram à casa de Zé Prefeito – ele morava em uma avenida de casas, onde o acesso se dá por um beco. “Escutei uma gritaria , um agito que vinha lá da casa dele , mas não saí, pois não sabia o que estava acontecendo de fato. Depois houve um silêncio. Fui até lá e só vi a porta aberta com a chave na fechadura”, contou uma vizinha. Um outro morador deu mais detalhes sobre o ocorrido. “Eles chamaram Zé Prefeito para conversar e na mesma hora fizeram o tribunal e levaram ele ainda vivo”, contou.

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Instantes depois o moradores tomaram conhecimento que o corpo de Zé Prefeito estava num matagal, perto de uma área de entulhos, às margens da Linha Verde, em frente à entrada de Itacimirim. Eles acionaram a polícia. De acordo com a Polícia Militar (PM), equipes da 59ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionadas para averiguar denúncia de sequestro, mas nada foi encontrado.

“Por volta da 0h desta terça-feira, o CICom (Centro Integrado de Comunicação da SSP) acionou novamente as guarnições da 59ª CIPM com informação de que parentes localizaram o corpo da vítima, na Estrada de Itacimirim. A veracidade da informação foi constatada no local”, diz nota da PM.

Popularidade
Zé Prefeito era conhecido por ser uma pessoa prestativa na região. “As pessoas procuravam ele para tudo e dificilmente dizia não. Estava sempre colado com a comunidade. Não era à toa que o apelido dele era Zé Prefeito, por causa da popularidade. Estamos surpresos com tudo isso. Pra a gente ele era uma pessoa legal, mas ninguém ninguém sabendo o que e fazia de fato”.

Um mulher disse que não acredita que Zé Prefeito tenha cometido o crime sexual com a menina. “Pelo o que conhecia a vítima, jamais faria isso. Conheço ele há mais de 30 anos. Conhecia os filhos dele e ele convivia com os meus filhos e nunca presenciei e nunca me contaram algo do tipo”, disse ela.

Moradores relataram ainda que a vítima morava próxima à ex-mulher e aos filhos e netos, mas os parentes não foram localizados.